Por que a utilização de drones na operação florestal vem aumentando?

O uso da tecnologia no setor florestal vem tornando as operações do ramo cada vez mais eficientes e seguras. Uma prova disso é a crescente utilização de drones nas atividades. Também conhecidos como veículos aéreos não tripulados (VANTs), eles podem ser utilizados especialmente para o monitoramento florestal.

Vale destacar que o processo de automação do setor iniciou há mais de uma década e ganhou intensidade com a chegada das geotecnologias. A utilização de drones para operações florestais, portanto, segue a tendência de tornar o segmento cada vez mais atualizado.

Entre as vantagens da utilização dessa tecnologia está o alcance em áreas de difícil acesso, além do tempo de trabalho reduzido e a qualidade das imagens. Estima-se que a metodologia automatizada possibilita realizar em três horas a medição de volumes de madeira em florestas que, de forma manual, levaria até três semanas para ser realizada.

 

O que é um inventário florestal?

A utilização do drone florestal tem ocupado destaque especialmente nas áreas que envolvem o inventário. Esse procedimento é realizado para se obter informações sobre as características quantitativas e qualitativas das florestas.

Quando bem realizado, um inventário florestal com drone revela informações como: estimativa de área, descrição da topografia, mapeamento da propriedade, descrição dos acessos, estimativa de crescimento (se for feito de maneira contínua) e estimativa de quantidade de madeira.

 

Em quais projetos os drones são mais utilizados?

Por meio de combinações de imagens aéreas sequenciais, é possível obter modelos 3D de alta precisão com maior rapidez e baixo custo. A utilização de drones pode ocorrer para diferentes finalidades, inclusive para monitorar as queimadas e incêndios florestais no Brasil. A metodologia também já está auxiliando técnicos do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) no monitoramento de concessões.

Confira exemplos de projetos em que o uso de drones entrega excelentes resultados:

- Planos de reflorestamento;

- Gerenciamento ambiental de obras;

- Prevenção de queimadas;

- Gestão florestal e ambiental;

- Assoreamento de cursos d’água;

- Mapeamento de áreas de degradação ambiental;

- Projetos de sustentabilidade.

 

Volume de toras é calculado rapidamente

Conforme informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as pesquisas para desenvolvimento da metodologia com drones no setor florestal tiveram início em 2015. O objetivo era encontrar uma alternativa tecnológica para calcular o volume de madeira extraído da floresta (cubagem das toras) com redução da morosidade e das incertezas do levantamento tradicional. Esses problemas eram comuns no ramo madeireiro em diversas localidades da Amazônia.

Os testes em campo aconteceram em pátios de estocagem de empresas do Acre e Rondônia, comparando a novidade com o método manual. Para medir a madeira estocada, o drone sobrevoa os volumes empilhados e captura imagens que possibilitam obter medidas precisas de cada tora.

Inicialmente, aponta um material da Embrapa, a metodologia foi testada em mil metros cúbicos de madeira, em Rio Branco (AC). No método tradicional, cinco técnicos trabalharam durante sete dias para medir as toras com o uso de trena, anotar o diâmetro, o comprimento e calcular o volume individualmente. Com o uso de drone, a medição foi feita em apenas dez minutos, com diferença de meio porcento nos quantitativos apurados.

Os testes realizados na Floresta Nacional do Jamari (RO), em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), confirmaram a eficiência da metodologia: para calcular a volumetria de 25 mil metros cúbicos, o equivalente a aproximadamente 800 caminhões de madeira em toras, foram necessários 16 minutos de sobrevoo e três horas de processamento das informações coletadas. Manualmente, a atividade demandaria 21 dias de trabalho com, no mínimo, três profissionais.